Archive for June, 2010

Memórias de viagem – Parte 2

Segunda parte da série das minhas melhores memórias de viagem. Esta é a minha preferida.

Local: fronteira entre Alemanha e Suíça, perto de Basel

Data: 01/02/2008

Pouco depois de voltar de Paris, resolvi dar um pulinho em Amsterdam. Na volta, como sempre, pego um trem de quase 12 horas até Zurich.

Por algum motivo o trem demorou mais que o normal, e já quase 8 da manhã ainda estávamos nesta bendita fronteira.

Como de costume, a polícia de fronteira alemã tem uma atenção especial comigo. Ora, brasileiro, viajando sozinho, voltando de Amsterdam, up to no good, right? Passaporte, por favor… Poderia abrir a mochila, por favor… Nada demais, já estava acostumado com isso.

Não encontrando nada, a oficial continua a pedir o passaporte dos outros passageiros. Reencosto-me no meu assento e volto a pensar na vida. Tudo certo, ok?

Claro que não. Alguns minutos depois, a mesma oficial volta até mim e fala que eu teria que descer do trem e acompanhá-los até o posto policial na estação. Nesse momento eu gelei… e agora, vão me prender na Alemanha? Arbeit macht frei????

Pior, só faltavam 2 dias para eu voltar ao Brasil…

Não sabia exatamente onde eu estava. Os policiais eram de Lörrach, uma cidade alemã, mas não sei se eu já estava em território suíço ou continuava na Alemanha. Não sabia nada, nem tentei ler o nome da estação…

Tudo bem, tento me acalmar, desço do trem e vou até o posto policial. Logo na entrada, sentado numa cadeira, está outro viajante, provavelmente tirado do mesmo trem, que dá um sorriso irônico pra mim – provavelmente pensando o mesmo dos policiais que eu.

Mas tudo bem, vou até o balcão do posto e a oficial me pede para esperar, e levam meu passaporte.

Aí eu me acalmei. Ao menos não me jogaram numa salinha sem janelas e com uma mesa no meio.

Fico observando os policiais olhando meu passaporte. Era interessante. Um olhava e passava ao outro, que olhava e passava ao próximo… Parecia até que era algum dispositivo alienígena e eles estavam tentando entender do que se tratava. Até que aquele que me parecia ser o oficial superior do posto pegou meu passaporte e acessou o computador.

Daí um tempo, a mesma oficial que tinha me revistado no trem vem falar comigo. Ela me pergunta o que era “Mercosul”. Sabe quando aparece aquela interrogação na sua cabeça? Bom, fui explicar o que era, e pergunto se estava tudo certo, e digo que, se quisessem, podiam ligar para minha tia ou o marido dela… Mas ela fala que estava tudo bem, e que eu poderia ir em alguns minutos.

Eu comecei a digerir aquilo tudo, ainda sem entender bem. Aí lembrei que na capa do novo passaporte brasileiro, está escrito “MERCOSUL”, logo no topo. Eu pensei: “será que é isso?”.

Lembrei também que o passaporte de um primo meu, que foi tirado em 2006, ainda era o antigo… o meu, tirado em meados de 2007, já era o novo.

A explicação mais lógica a que eu cheguei foi que ainda não conheciam aquele passaporte. Mas porque me tiraram do trem, eu não sei.

A oficial pediu meu bilhete do trem, perguntou para onde eu iria e anotou alguma coisa na parte de trás do bilhete. Falou para eu esperar que outro trem passaria em alguns minutos, e eu devia mostrar isso ao pessoal do trem.

Tudo não deve ter demorado mais de meia hora. Mas novamente eu fiquei tão tenso que pareceu uma eternidade.

Eu deveria chegar em Rapperswil em torno das 8 ou 9 da manhã. Devo ter chegado meio dia. Todos preocupados comigo.

E eu nunca quis saber o que estava escrito atrás do bilhete – ao menos não era uma estrela branca:
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Memórias de viagem – Parte 1

Ontem vimos uma ameaça de bomba no aeroporto de Guarulhos, e isto me fez lembrar de dois dos meus melhores momentos de viagem, então vou fazer essa série, em duas partes, para recordar.

Local: Paris

Data: 22/01/2008

Era meu último dia na Cidade Luz e eu tinha acabado de visitar a Tour Montparnasse, então o maior prédio de Paris, mas ainda assim menor  que a Torre Eiffel. É um destino interessante, já que se pode subir ao terraço do prédio, com uma vista incrível da cidade. Como, na época, não estavam permitindo subir até o observatório superior da Eiffel, era a melhor vista. Existem alguns projetos em La Défense para construção de prédios maiores, mas como essa área é mais afastada, a Tour Montparnasse ainda é um dos melhores pontos a se visitar.

Logo após descer do prédio, comecei a andar um pouco. Podia ter ido à Galerie Lafayette que fica logo abaixo, mas não é minha praia. Comecei a andar um pouco pelas ruas, passei por uma pequena lanchonete de döner kebab, mas por algum motivo resolvi não comer. Para quem não sabe, é uma espécie de churrasco grego (que tem uma má fama incrível aqui no Brasil, mas os que eu comi pela Europa eram ótimos) dentro de um pão árabe com vários condimentos – recomendado.

Então, resolvi pegar o metrô. Não lembro ao certo, mas acho que era a Linha 4, em direção a Cité.

Alguns minutos depois de subir no metrô, ele pára em alguma estação. Até aí, tudo bem. Pessoas sobem, pessoas descem. As portas se fecham. Mas o carro não anda. E permanece lá uns minutos. Depois de algum tempo, uma voz no alto-falantes diz qualquer coisa. Meu parco francês não é suficiente para entender bulhufas.

As pessoas continuam sentadas e o tempo continua passando.

Depois de uma eternidade, novamente a voz do além nos alto-falantes aparece, as portas se abrem e todos começam a sair. O que diabos acontecia?

Pior, parecia que todo mundo estava saindo da estação, até mesmo as pessoas que esperavam outras linhas.

De volta à superfície, eu tentando ao menos compreender o que acontecia, vi que todos se dirigiam a um ponto de ônibus, que ficou superlotado.

Lá, vejo uma senhora que estava no mesmo carro que eu e falava em inglês ao celular. Quando ela desligou, resolvi me aproximar e perguntar o que tinha acontecido, e eis que ela me responde que alguém disse a ela que encontraram uma bolsa ou mala perdida dentro do metrô e que tinham evacuado para o caso de ser uma bomba.

Até hoje eu não sei se ela estava zoando comigo, se zoaram com ela, ou se corri o risco de explodir num metrô.

Chances são de que o carro teve um problema técnico, mas…

Momento cultural

É, eu ando compulsivo… ao menos, por algo útil. Ando comprando mais livros do que eu posso ler. Muito mais.

Mal terminei de Excalibur, último livro da ótima série Crônicas de Artur, do escritor inglês Bernard Cornwell, já comprei os 5 livros publicados da série Crônicas Saxônicas, do mesmo autor.

São livros razoavelmente simples, de fácil leitura, apesar de serem bem descritivos. Não tanto a ponto de afastar um leitor preguiçoso como eu. Lembro bem quando li Senhora, de José de Alencar. O livro é tão denso e a narrativa tão cheia de detalhes que me davam sono só de ler meia página. Eu prefiro livros mais dinâmicos, com narrativa mais rápida. Talvez por isso eu leia tantos best sellers.

Anyway, por algum motivo, ao invés de começar a ler as Crônicas Saxônicas, resolvi reler o Hobbit. Com tantos livros novos e ainda não lidos, eu vou justamente para algo que eu já li tantas vezes que até perdi a conta? Pois é, Tolkien tem este efeito.

E sim, eu não sei exatamente o real motivo deste post.

A Copa, a memória e dois pesos, duas medidas

Eu tenho um problema: sempre sou o do contra.

Hoje tivemos mais um jogo do Brasil na Copa do Mundo. Até aí, nada demais, e pra mim nada de grande importância. O Brasil ganhou… ok, legal, divertido, mas quando termina, continuo minha vidinha, move on. O que me deixou realmente impressionado foi a reação no Twitter logo depois do jogo, quando me deparo com um certo Juiz Ladrão nos trending topics.

Certo, estão chamando de ladrão aquele mesmo árbitro que deixou o Luiz Fabiano tocar duas vezes com o braço antes de fazer o gol.

Até aí, nada de mais, imbecilidade comum em torcedores de futebol: o meu é melhor que o seu; pro meu time o juiz nunca rouba, e por aí vai. Briga pra ver quem tem o pinto maior, sabe? Estamos acostumados com isso no futebol nacional.

O que realmente me impressionou é que esses mesmos torcedores fanáticos que exaltam a, como direi, esperteza do Luiz Fabiano execraram o Thierry Henry naquele lance pelas eliminatórias contra a Irlanda. Falaram que a França não merecia estar na copa, falaram que o Henry deveria queimar na fogueira.

Qual a diferença? Agora, que é do nosso lado, nada aconteceu. Pior, foi um golaço do Luiz Fabiano, e ninguém mais lembra do detalhe dos dois toques no braço.

É, se é assim, eu prefiro ser do contra a ser mais um torcedor imbecil. Ou hipócrita.