Local: fronteira entre Alemanha e Suíça, perto de Basel
Data: 01/02/2008
Pouco depois de voltar de Paris, resolvi dar um pulinho em Amsterdam. Na volta, como sempre, pego um trem de quase 12 horas até Zurich.
Por algum motivo o trem demorou mais que o normal, e já quase 8 da manhã ainda estávamos nesta bendita fronteira.
Como de costume, a polícia de fronteira alemã tem uma atenção especial comigo. Ora, brasileiro, viajando sozinho, voltando de Amsterdam, up to no good, right? Passaporte, por favor… Poderia abrir a mochila, por favor… Nada demais, já estava acostumado com isso.
Não encontrando nada, a oficial continua a pedir o passaporte dos outros passageiros. Reencosto-me no meu assento e volto a pensar na vida. Tudo certo, ok?
Claro que não. Alguns minutos depois, a mesma oficial volta até mim e fala que eu teria que descer do trem e acompanhá-los até o posto policial na estação. Nesse momento eu gelei… e agora, vão me prender na Alemanha? Arbeit macht frei????
Pior, só faltavam 2 dias para eu voltar ao Brasil…
Não sabia exatamente onde eu estava. Os policiais eram de Lörrach, uma cidade alemã, mas não sei se eu já estava em território suíço ou continuava na Alemanha. Não sabia nada, nem tentei ler o nome da estação…
Tudo bem, tento me acalmar, desço do trem e vou até o posto policial. Logo na entrada, sentado numa cadeira, está outro viajante, provavelmente tirado do mesmo trem, que dá um sorriso irônico pra mim – provavelmente pensando o mesmo dos policiais que eu.
Mas tudo bem, vou até o balcão do posto e a oficial me pede para esperar, e levam meu passaporte.
Aí eu me acalmei. Ao menos não me jogaram numa salinha sem janelas e com uma mesa no meio.
Fico observando os policiais olhando meu passaporte. Era interessante. Um olhava e passava ao outro, que olhava e passava ao próximo… Parecia até que era algum dispositivo alienígena e eles estavam tentando entender do que se tratava. Até que aquele que me parecia ser o oficial superior do posto pegou meu passaporte e acessou o computador.
Daí um tempo, a mesma oficial que tinha me revistado no trem vem falar comigo. Ela me pergunta o que era “Mercosul”. Sabe quando aparece aquela interrogação na sua cabeça? Bom, fui explicar o que era, e pergunto se estava tudo certo, e digo que, se quisessem, podiam ligar para minha tia ou o marido dela… Mas ela fala que estava tudo bem, e que eu poderia ir em alguns minutos.
Eu comecei a digerir aquilo tudo, ainda sem entender bem. Aí lembrei que na capa do novo passaporte brasileiro, está escrito “MERCOSUL”, logo no topo. Eu pensei: “será que é isso?”.
Lembrei também que o passaporte de um primo meu, que foi tirado em 2006, ainda era o antigo… o meu, tirado em meados de 2007, já era o novo.
A explicação mais lógica a que eu cheguei foi que ainda não conheciam aquele passaporte. Mas porque me tiraram do trem, eu não sei.
A oficial pediu meu bilhete do trem, perguntou para onde eu iria e anotou alguma coisa na parte de trás do bilhete. Falou para eu esperar que outro trem passaria em alguns minutos, e eu devia mostrar isso ao pessoal do trem.
Tudo não deve ter demorado mais de meia hora. Mas novamente eu fiquei tão tenso que pareceu uma eternidade.
Eu deveria chegar em Rapperswil em torno das 8 ou 9 da manhã. Devo ter chegado meio dia. Todos preocupados comigo.
E eu nunca quis saber o que estava escrito atrás do bilhete – ao menos não era uma estrela branca:
