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Vídeo – Kjeragbolten

Esse é o primeiro vídeo de viagem que eu faço.

Data: 12/08/2010

Eu e o Leandro fomos à região do Lysefjord, no sul da Noruega, próximo à cidade de Stavanger. Ficamos lá por 6 dias, hospedados no Preikestolhytta, um hotel/albergue literalmente no meio do nada, mas muito bom. É o ponto mais próximo do Preikestolen, um dos mais conhecidos pontos turísticos do país (farei um vídeo de lá em breve).

O Kjeragbolten é uma pedra que fica encaixada numa fenda a 990m de altura na montanha mais alta da região, o Kjerag. Para chegar lá, tivemos que pegar uma balsa turística que demora cerca de 2h 30min para atravessar toda a extensão do fiorde, até a vila de Lysebotn, dirigir por uma das estradas mais conhecidas da Noruega, a Lysebotnvegen, com 27 hairpins, até um estacionamento que serve como ponto de partida para a trilha.

A trilha em si é a parte complicada da aventura, principalmente para os fora de forma como eu. Demora cerca de 6 horas ida e volta, com várias subidas e descidas. Às vezes nem a belíssima vista no caminho parece compensar.

Porém, todo esse trabalho vale a pena.

Relembrando 2006

Escrevi o texto abaixo no fotolog (sim, eu tive um) em 1 de julho de 2006, logo após o Brasil perder para a França na Copa, e reproduzo-o hoje, dia em que o Brasil perdeu para a Holanda na Copa de 2010. Na verdade, é apenas para contrastar com o fato de que eu, hoje, não me importo mais nem um pouco.

O jogo de hoje devia ficar marcado como jogo da apatia.
Apatia de um time, ou pelo menos um apanhado de jogadores reunidos.
Apatia de jogadores. Desmotivação em defender seu país? Jogadores, os melhores do mundo. Jogadores, estrelas da copa. Jogadores, que não quiseram jogar.
Apatia de um técnico. Sobre isso nem é preciso comentar.

E, sinceramente, tenho pena daqueles que pagaram mais de 500 Euros para assistir a essa tragédia (ou será comédia?).

Pontos altos do jogo? Para mim, não estiveram em campo, mas fora dele. E são dois:
Primeiro, um técnico que, perdendo o jogo, aos 40 minutos do segundo tempo, está calmamente sentado no banco olhando para o relógio… E que cena diferente do jogo anterior, em que o Felipão não parava um minuto no banco, gritava, incentivava.
Segundo, uma torcida, entoando uma frase bastante conhecida no Brasil mas que nunca se pensou em se ouvir durante uma Copa do Mundo: ‘Ei, Parreira, vai tomar no …’.

Parabéns aos franceses, que se comportaram como time. Allez les bleus.
E a prece para que nunca mais precisarmos ter de aturar o Parreira novamente.

E o que muda na vida? Nada, nós continuamos na mesma e eles continuam milionários.

Memórias de viagem – Parte 2

Segunda parte da série das minhas melhores memórias de viagem. Esta é a minha preferida.

Local: fronteira entre Alemanha e Suíça, perto de Basel

Data: 01/02/2008

Pouco depois de voltar de Paris, resolvi dar um pulinho em Amsterdam. Na volta, como sempre, pego um trem de quase 12 horas até Zurich.

Por algum motivo o trem demorou mais que o normal, e já quase 8 da manhã ainda estávamos nesta bendita fronteira.

Como de costume, a polícia de fronteira alemã tem uma atenção especial comigo. Ora, brasileiro, viajando sozinho, voltando de Amsterdam, up to no good, right? Passaporte, por favor… Poderia abrir a mochila, por favor… Nada demais, já estava acostumado com isso.

Não encontrando nada, a oficial continua a pedir o passaporte dos outros passageiros. Reencosto-me no meu assento e volto a pensar na vida. Tudo certo, ok?

Claro que não. Alguns minutos depois, a mesma oficial volta até mim e fala que eu teria que descer do trem e acompanhá-los até o posto policial na estação. Nesse momento eu gelei… e agora, vão me prender na Alemanha? Arbeit macht frei????

Pior, só faltavam 2 dias para eu voltar ao Brasil…

Não sabia exatamente onde eu estava. Os policiais eram de Lörrach, uma cidade alemã, mas não sei se eu já estava em território suíço ou continuava na Alemanha. Não sabia nada, nem tentei ler o nome da estação…

Tudo bem, tento me acalmar, desço do trem e vou até o posto policial. Logo na entrada, sentado numa cadeira, está outro viajante, provavelmente tirado do mesmo trem, que dá um sorriso irônico pra mim – provavelmente pensando o mesmo dos policiais que eu.

Mas tudo bem, vou até o balcão do posto e a oficial me pede para esperar, e levam meu passaporte.

Aí eu me acalmei. Ao menos não me jogaram numa salinha sem janelas e com uma mesa no meio.

Fico observando os policiais olhando meu passaporte. Era interessante. Um olhava e passava ao outro, que olhava e passava ao próximo… Parecia até que era algum dispositivo alienígena e eles estavam tentando entender do que se tratava. Até que aquele que me parecia ser o oficial superior do posto pegou meu passaporte e acessou o computador.

Daí um tempo, a mesma oficial que tinha me revistado no trem vem falar comigo. Ela me pergunta o que era “Mercosul”. Sabe quando aparece aquela interrogação na sua cabeça? Bom, fui explicar o que era, e pergunto se estava tudo certo, e digo que, se quisessem, podiam ligar para minha tia ou o marido dela… Mas ela fala que estava tudo bem, e que eu poderia ir em alguns minutos.

Eu comecei a digerir aquilo tudo, ainda sem entender bem. Aí lembrei que na capa do novo passaporte brasileiro, está escrito “MERCOSUL”, logo no topo. Eu pensei: “será que é isso?”.

Lembrei também que o passaporte de um primo meu, que foi tirado em 2006, ainda era o antigo… o meu, tirado em meados de 2007, já era o novo.

A explicação mais lógica a que eu cheguei foi que ainda não conheciam aquele passaporte. Mas porque me tiraram do trem, eu não sei.

A oficial pediu meu bilhete do trem, perguntou para onde eu iria e anotou alguma coisa na parte de trás do bilhete. Falou para eu esperar que outro trem passaria em alguns minutos, e eu devia mostrar isso ao pessoal do trem.

Tudo não deve ter demorado mais de meia hora. Mas novamente eu fiquei tão tenso que pareceu uma eternidade.

Eu deveria chegar em Rapperswil em torno das 8 ou 9 da manhã. Devo ter chegado meio dia. Todos preocupados comigo.

E eu nunca quis saber o que estava escrito atrás do bilhete – ao menos não era uma estrela branca:
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Memórias de viagem – Parte 1

Ontem vimos uma ameaça de bomba no aeroporto de Guarulhos, e isto me fez lembrar de dois dos meus melhores momentos de viagem, então vou fazer essa série, em duas partes, para recordar.

Local: Paris

Data: 22/01/2008

Era meu último dia na Cidade Luz e eu tinha acabado de visitar a Tour Montparnasse, então o maior prédio de Paris, mas ainda assim menor  que a Torre Eiffel. É um destino interessante, já que se pode subir ao terraço do prédio, com uma vista incrível da cidade. Como, na época, não estavam permitindo subir até o observatório superior da Eiffel, era a melhor vista. Existem alguns projetos em La Défense para construção de prédios maiores, mas como essa área é mais afastada, a Tour Montparnasse ainda é um dos melhores pontos a se visitar.

Logo após descer do prédio, comecei a andar um pouco. Podia ter ido à Galerie Lafayette que fica logo abaixo, mas não é minha praia. Comecei a andar um pouco pelas ruas, passei por uma pequena lanchonete de döner kebab, mas por algum motivo resolvi não comer. Para quem não sabe, é uma espécie de churrasco grego (que tem uma má fama incrível aqui no Brasil, mas os que eu comi pela Europa eram ótimos) dentro de um pão árabe com vários condimentos – recomendado.

Então, resolvi pegar o metrô. Não lembro ao certo, mas acho que era a Linha 4, em direção a Cité.

Alguns minutos depois de subir no metrô, ele pára em alguma estação. Até aí, tudo bem. Pessoas sobem, pessoas descem. As portas se fecham. Mas o carro não anda. E permanece lá uns minutos. Depois de algum tempo, uma voz no alto-falantes diz qualquer coisa. Meu parco francês não é suficiente para entender bulhufas.

As pessoas continuam sentadas e o tempo continua passando.

Depois de uma eternidade, novamente a voz do além nos alto-falantes aparece, as portas se abrem e todos começam a sair. O que diabos acontecia?

Pior, parecia que todo mundo estava saindo da estação, até mesmo as pessoas que esperavam outras linhas.

De volta à superfície, eu tentando ao menos compreender o que acontecia, vi que todos se dirigiam a um ponto de ônibus, que ficou superlotado.

Lá, vejo uma senhora que estava no mesmo carro que eu e falava em inglês ao celular. Quando ela desligou, resolvi me aproximar e perguntar o que tinha acontecido, e eis que ela me responde que alguém disse a ela que encontraram uma bolsa ou mala perdida dentro do metrô e que tinham evacuado para o caso de ser uma bomba.

Até hoje eu não sei se ela estava zoando comigo, se zoaram com ela, ou se corri o risco de explodir num metrô.

Chances são de que o carro teve um problema técnico, mas…